O líder do PS/Lisboa, Marcos Perestrello, acusou hoje o Governo de estar a conduzir os processos de reestruturação de empresas como a Carris, o Metro de Lisboa e a CP num quadro de "absoluta opacidade".
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS exigiu imediatas explicações sobre o que o Governo tenciona fazer em relação ao conjunto de empresas de transportes, das quais algumas poderão ser a prazo alvo de concessão e outras privatizadas.
"Os processos de reestruturação, de privatização ou de concessão das empresas de transportes terrestres estão a decorrer num quadro de absoluta opacidade, o que é inaceitável", afirmou Marcos Perestrello.
Em relação ao Metro de Lisboa e à Carris, o ex-secretário de Estado sustentou que "nada se sabe" sobre o futuro destas empresas.
"Falou-se numa eventual concessão, o que é caricato uma vez que o dono da concessão é a Câmara de Lisboa e não o Governo. A menos que o Governo queira concessionar o que não é seu", observou o ex-secretário de Estado do segundo executivo liderado por José Sócrates.
Marcos Perestrello referiu depois que sobre o Metro de Lisboa e a Carris "o Governo tem mantido um silêncio absoluto, gabando-se apenas dos resultados operacionais positivos".
"Esquece o Governo que a evolução positiva dos resultados operacionais vem do passado - e muito particularmente das reduções salariais impostas pelo anterior governo. Mas esquece, sobretudo, que em 2011 foi promovido um brutal aumento das tarifas na ordem dos 20 por cento, que gerou um aumento muito inferior das receitas, por força da redução de muitas dezenas de milhões de passageiros".
"Depois de anos de prejuízos, é quando os resultados passam a positivos que o Governo quer entregar estas empresas a privados", interrogou-se o líder da FAUL do PS, que deixou ainda uma advertência ao executivo.
"As privatizações são processos de passagem de património que é de todos para as mãos de poucos. Deve por isso ser um processo totalmente transparente e merecedor de um amplo consenso nacional, como aliás sucedeu no passado", acrescentou.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
Por Lusa in i Online


