A Refer suspendeu o levantamento de carris na linha desactivada entre Figueira da Foz e Pampilhosa (Mealhada) até à realização de uma reunião com os autarcas da Comunidade Intermunicipal do Baixo Mondego que contestam o "desmantelamento" daquela via férrea.
A empresa alegou as tentativas de roubo de carris para justificar este acto de gestão, que se destina a proteger aqueles activos que valem, segundo fonte oficial da Refer, 1,4 milhões de euros. Desde que esta linha foi encerrada, em Janeiro de 2009, foram registados mais de 25 episódios de furto que se traduziram em 240 mil euros de prejuízos.
Mas os autarcas temem que o levantamento da linha (carris e travessas) impeça um aproveitamento futuro daqueles 50 quilómetros que unem a linha da Beira Alta e a linha do Norte ao porto da Figueira da Foz e à linha do Oeste.
João Ataíde, presidente da Câmara da Figueira da Foz, defende que aquele corredor é demasiado importante e pode ser estratégico para o transporte de mercadorias. Por isso, diz que só aceita o levantamento dos carris se a Refer lhe provar que o canal ferroviário fica protegido para que um dia possa ser reactivado.
A reunião entre os presidentes de câmara do Baixo Mondego e o presidente da Refer, Rui Loureiro, ainda não está agendada, mas os autarcas vão manifestar-se contra o encerramento definitivo daquela linha, previsto no Plano Estratégico de Transportes (PET) aprovado pelo Governo.
Para a decisão da Refer de suspender o levantamento dos carris contribuiu a intervenção do deputado do PSD eleito por Coimbra José Manuel Canavarro, a quem o autarca da Figueira da Foz telefonou para que intercedesse junto da Secretaria de Estado dos Transportes e da Refer.
Os próprios presidentes da Refer e da CP falaram também sobre este assunto. O administrador da CP, Manuel Queiró, foi um dos fundadores do Fórum Centro, grupo que tem sido o principal dinamizador da abertura do aeroporto de Monte Real ao tráfego civil, conjugada com a modernização da linha do Oeste e da linha Figueira da Foz-Pampilhosa - uma posição que, antes de ser administrador da CP, Queiró assumiu várias vezes publicamente.
Por Carlos Cipriano in Público de 3 de Abril de 2013


