Automotoras serão substituídas por veículos antigos, que segundo especialistas suíços têm várias deficiências
A substituição das automotoras na Linha do Vale do Vouga pelos Light Rail Vehicles (LRV), que circularam nas linhas do Tua, Tâmega e Corgo - que estiveram envolvidos nos acidentes do Tua em 2008 e 2009 e nos quais especialistas suíços detectaram várias deficiências a nível de segurança - não perturbam os planos que os autarcas da região têm para essa ferrovia inaugurada em Novembro de 1908. Durante esta semana, a CP está a efectuar ensaios com essas automotoras ligeiras na Linha do Vale do Vouga, entre Sernada do Vouga e Espinho, e sentido inverso, entre as nove da noite e as seis da manhã.
Para o presidente da Câmara de São João da Madeira, Castro Almeida, esta alteração "é um assunto pouco revelante" que em nada colide com o que os autarcas da região têm vindo a defender para essa ferrovia. "Nem sequer me passaria pela cabeça que as automotoras que a CP irá colocar sejam piores das que actualmente circulam em matéria de segurança e de conforto", refere. "É um detalhe, uma pequena alteração que não atrasa nem adianta o que deve ser a estratégia para a linha".
O vice-presidente da Câmara da Feira, Emídio Sousa, partilha da mesma opinião do seu colega são-joanense. "A CP terá de analisar muito bem o que dizem os peritos, mas não nos parece que coloque na linha material que não cumpra rigorosamente com as normas de segurança", afirma. "A grande questão é a requalificação da linha, ligando-a à linha do Norte, aumentando a sua velocidade, diminuindo os tempos de circulação", acrescenta.
Em Oliveira de Azeméis, a mesma posição. "Não acredito que a CP não tenha tido esse cuidado e não assegure todas as condições de segurança para os passageiros", afirma o presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, Hermínio Loureiro. O autarca sublinha que a requalificação da ferrovia tem sido a principal preocupação. "O que queremos, e desejamos, é que se possa ir de Oliveira de Azeméis ao Porto em segurança, com rapidez, e com horários perfeitamente adaptados às novas realidades".
Os autarcas da região sempre defenderam a ligação da Linha do Vale do Vouga à Linha do Norte de forma a garantir aos passageiros do Vouguinha uma ligação directa ao Porto. Uma ideia que obrigaria, sublinha Castro Almeida, a electrificar a linha do Vouga, a algumas alterações no traçado, a aumentar a velocidade de 30 para 80 quilómetros por hora. Um investimento contabilizado em 35 milhões de euros que, segundo as suas contas, não custaria um cêntimo ao Governo, se fosse integrado na futura concessão da CP-Porto.
O autarca defende, por outro lado, que o Andante deveria transformar-se no "bilhete de identidade metropolitano", ao funcionar como título de transporte de toda a Área Metropolitana do Porto que possa ser utilizado no Vouguinha, no metro, nos Serviços de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
O encerramento da Linha do Vale do Vouga chegou a estar previsto no Plano Estratégico dos Transportes. No entanto, o fecho da ferrovia nunca chegou a ser concretizado e os autarcas da região juntaram-se para defender a viabilidade da linha em contactos estabelecidos com vários responsáveis governamentais. Agora a CP tenta reduzir os custos de exploração da linha, trocando as actuais automotoras (na foto), pelas LRV, cujos problemas, segundo os técnicos suíços, tiveram que ver com o facto de serem demasiado leves e terem o peso mal distribuído. Questões que a CP garantiu estarem a ser tidas em conta.
Por Sara Dias Oliveira in Público de 16 de Abril de 2013


