Carlos Costa Pina afirmou ontem que foi alertado em 2008 para o risco dos ‘swaps'. O ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças garante que não incentivou aquele tipo de contratos e que fez tudo para acabar com eles.
É bom que se diga que o Governo só quer mexer em 57 dos 140 contratos de ‘swap' e denunciar e extinguir entre dez e 20 desses acordos considerados altamente especulativos.
O ex-governante exarou um despacho em 30 de Junho de 2009 onde obrigava as empresas públicas não financeiras a enviar à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças a memória descritiva da operação e os critérios que presidiram à escolha. Parece, por isso, estranho que as operações agora detectadas pelo IGCP e que a Inspecção-Geral de Finanças está a investigar não tenham sido detectadas. O Governo andou bem ao demitir dois secretários de Estado que estiveram, alegadamente, envolvidos nas operações especulativas. Agora terá de ser levada às últimas consequências a investigação aos responsáveis por essas operações.
Até porque há alguns pormenores por esclarecer. As autoridades dizem que os contratos em causa começaram a ser investigadas há dois meses, mas Vítor Bento - economista e presidente da SIBS - já escreveu, em Julho do ano passado, sobre a hipótese de existirem operações puramente especulativas realizadas com sofisticados derivados financeiros e envolvendo reputados bancos internacionais.
Estes contratos envolvem perdas potenciais de três mil milhões de euros e, com as dificuldades que o País atravessa, é essencial responsabilizar os culpados por uma situação que todos os portugueses acabarão por ser chamados a pagar. O PSD e o CDS querem ouvir no Parlamento todos os que estiveram envolvidos nos contratosem causa e o PS também insta antigos administradores da Metro do Porto, como Rui Rio, a explicarem a gestão da empresa. Vamos ver se é desta que a culpa não morre solteira.


