Acessibilidade
Procurar

SNAQ

Comunicados

O chico espertismo (+)

O Direito é Nosso (+)

Aos Congressistas da UIC (+)

Comunicado REFER (+)

Comunicado à população de 9 de Outubro de 2014 (+)

Ferrovia em Portugal Retrocesso 1988-2012 (+)

Comunicado à população sobre "Borlas nos transportes" (+)

Notícias

Quebra do petróleo e turismo seguram saldo comercial (+)

Infrestruturas de Portugal limpam Linha da Beira Alta (+)

CP agrava prejuízos para 118,6 milhões de euros (+)

Tribunal de Contas aponta «falhas relevantes» na execução orçamental (+)

Outras Notícias (+)

Informação

Você está aqui: Inicío
Sábado, 19 Out 2019

Perdas de empresas com swaps tóxicos dispararam 30% no espaço de um ano

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Vítor Gaspar ouvido nesta terça-feira no Parlamento sobre caso que levou à saída do Governo de dois secretários de Estado.

As perdas potenciais com contratos swaps acumuladas pelas seis empresas públicas que subscreveram produtos tóxicos dispararam 31,9% no espaço de um ano, alcançando 2684,3 milhões de euros em Dezembro de 2012. Apesar de a Metro de Lisboa concentrar o maior risco, com um prejuízo que atingiu 1240,8 milhões no final do ano passado, foi a STCP que protagonizou a maior escalada: 60,4% face aos valores registados em 2011.

De acordo com um relatório publicado ontem pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), as seis empresas públicas identificadas pelo Governo como "explosivas", por terem contratado derivados financeiros com cariz especulativo ao longo dos últimos anos, registaram um acréscimo de 650 milhões de euros nas perdas potenciais com swaps, entre 2011 e 2012.

Estes prejuízos dizem respeito aos montantes a pagar às instituições financeiras ao longo dos contratos, além do empréstimo contraído. Os dados reportados pela DGTF incluem, para cada uma das seis empresas, os swaps tradicionais (que servem para cobrir as oscilações da taxa de juro, fixando o seu valor) e os produtos que foram considerados especulativos, por estarem dependentes de outras variáveis que não a Euribor.

A identificação destes swaps tóxicos coube à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), na sequência de auditoria iniciada em meados de 2012 e que determinou a existência de 57 contratos especulativos em seis empresas do Estado: Metro de Lisboa, Carris, STCP, Metro do Porto, CP e Egrep, gestora das reservas petrolíferas.

Este grupo de entidades era responsável, em Dezembro de 2012, por perdas potenciais de 2684,3 milhões de euros. Este valor é comparável com os 2034,6 milhões reportados um ano antes, significando uma subida de 31,9%, revela o relatório da DGTF.

Houve apenas um caso, o da CP, em que os prejuízos diminuíram, passando de 146,1 para 135,2 milhões. Em todas as restantes empresas, registou-se uma subida expressiva das perdas potenciais acumuladas com swaps, com destaque para a STCP, que assistiu a uma escala de 60,4% (de 70,4 para 112,9 milhões).

O maior contributo para este "buraco" cabe, no entanto, ao Metro de Lisboa, que chegou a Dezembro do ano passado com um risco de prejuízos na ordem dos 1240,7 milhões (mais 38,8% do que no mesmo período de 2011). Já a Metro do Porto registou um acréscimo de 35,5%, para 889,7 milhões. Também a Carris e a Egrep assistiram a uma subida nas perdas potenciais com swaps, alcançando 120,1 e 185,7 milhões no final de 2012 - um acréscimo de 26% e de 7,5%, respectivamente.

1600 milhões na justiça
Os prejuízos que poderão advir da subscrição destes produtos nestas seis empresas públicas representam quase 95% dos riscos acumulados por todas as 15 sociedades do Estado que contrataram swaps, num total de 2840,8 milhões de euros. Os cerca de 156 milhões de diferença são da responsabilidade de empresas como a Estradas de Portugal e a Refer, que o IGCP considerou não terem subscrito produtos especulativos.

Os dados publicados ontem pela DGTF são os mais actualizados, embora o Governo tivesse já referido que as perdas potenciais com swaps rondam os três mil milhões de euros. Tal como o PÚBLICO avançou, neste valor estão contidos cerca de 2600 milhões que dizem respeito a produtos tóxicos.

Uma parte substancial deste último montante (perto de 1600 milhões) está concentrada nos dois bancos com os quais o Governo não alcançou um acordo para redução das perdas: Santander e JP Morgan. Apesar de o executivo ter decidido avançar para tribunal contra as duas instituições financeiras, a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, afirmou ontem à Lusa que a probabilidade de o Estado conseguir que os contratos sejam anulados na Justiça é "baixa".

Dos restantes seis bancos que venderam swaps tóxicos a empresas públicas, três chegaram a acordo com o Governo (Barclays, Crédit Suisse e Nomura) e outros três (Deutsche Bank, Goldman Sachs e BNP Paribas) pediram uma extensão do prazo negocial para esta semana.

Nesta terça-feira, o ministro das Finanças será ouvido no Parlamento sobre este caso, que já resultou na saída de dois secretários de Estado que tinham estado envolvidos na negociação de produtos especulativos na Metro do Porto e na STCP. A audição de Vítor Gaspar, agendada para as 15h, contará com a presença da secretária de Estado do Tesouro, que também foi atingida pela polémica, pelo facto de ter sido directora financeira da Refer entre 2001 e 2007. A governante tem vindo a negar a ligação da empresa à subscrição de swaps tóxicos.

Por Raquel Almeida Correia in Público de 30 de Abril de 2013