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Terça, 12 Nov 2019

93% das receitas da CP são para pagar juros da dívida

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A CP perdeu 14 milhões de passageiros e 2,2 milhões de euros de receitas, em 2012, de acordo com o relatório de contas que está para aprovação pela tutela e já foi disponibilizado na intranet da empresa há um mês, a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Os resultados operacionais da CP melhoraram em 2012, de 39,4 para 45,6 milhões de euros, porém, a CP ainda apresentou um resultado líquido de -223 milhões de euros, dado que o serviço da dívida da empresa já "come" 93% dos proveitos.

O aumento da despesa em juros e gastos similares ascendeu, em 2012, a 194,9 milhões de euros - mais 3,6% do que em 2011, quando essa despesa foi de 188,1 milhões de euros, e mais 17,5% do que em 2010, quando esse valor era de 165,9 milhões de euros. Além disso, o relatório apresenta um novo endividamento, em 2012, correspondente a investimento em material circulante, no valor de 15,159 milhões de euros.

Apesar de serem os juros a representar a maior despesa da CP, o vice-presidente Vicente Pereira, que apresenta as contas, em virtude de o atual presidente só ter tomado posse no início de março, atribui ao "elevado número de greves que ocorreram durante todo o ano" uma fatia de responsabilidade na perda de passageiros.

A CP estima que a greve tenha feito perder 2,8 milhões de passageiros e 8,5 milhões de euros de receitas. "Mas, este ano, ainda não houve greves e até ao início de junho a CP já perdeu oito milhões de euros", contrapõe José Reizinho, coordenador da Comissão de Trabalhadores. A Administração da CP escusou-se a comentar as contas ou a situação atual em termos de passageiros.

Durante o ano passado, a CP dispendeu 62,5 milhões de euros com o pessoal, menos do que os 73,7 milhões de euros de 2011, nomeadamente através de rescisões e de uma "redução substancial do trabalho suplementar em 2012 comparativamente com 2011, correspondendo a uma taxa média de 2,81%, contra 4,94% do ano anterior".

Entre 2010 e 2012, os trabalhadores da CP receberam, em média, menos 22,6% de remuneração. "Estamos preocupados com o futuro desta empresa", comenta Reizinho.

"A má gestão resulta em cada vez menos passageiros e menos receita, porque a aumentarem os preços como aumentaram e diminuirem a oferta não vamos de certeza captar mais passageiros", acrescenta.

Em 2012, a taxa de ocupação dos comboios foi de apenas 27,7%, menos 0,7 pontos percentuais do que em 2011.

Os famosos "swap" contribuiram também para o agravamento da dívida da CP, com perdas potenciais de 135 milhões de euros. A maior fatia de investimento em derivados financeiros cabe ao BES (81 milhões de euros), seguindo-se o BNP Paribas (34,5 milhões de euros), o RBS/ABN com 7,7 milhões de euros, o Barclays (5 milhões de euros) e Deutsche Bank (4,3 milhões de euros). Durante o ano passado, a CP assimilou na dívida outros valores da mesma natureza que, em 2011, estavam no BNP Paribas (419 mil euros), na JP Morgan (7,8 milhões de euros) e no Barclays (5,4 milhões de euros).

No que toca à prestação das participadas da CP, destaque para a melhoria de performance da CP Carga - cuja privatização está agendada para o segundo semestre deste ano -, que aumentou o volume de negócios (6%), melhorou o resultado operacional (47%, para -14,403 milhões de euros) e o resultado líquido (37%, para -19,165 milhões de euros), apesar de ter transportado menos 431 toneladas (-5%) do que em 2011. A EMEF diminuiu o volume de negócios para 63,267 milhões de euros (-17% face a 2011). Porém, as "medidas de racionalização implementadas" permitiram melhorar o resultado operacional (3272%, de 244 mil euros para 8,2 milhões de euros) e o resultado líquido (570%, de -1,3 milhões de euros para 6,3 milhões de euros). A Fernave também diminuiu o volume de negócios (-25%) mas melhorou os resultados operacional (+7%, para -949 mil euros) e líquido (+10%, para -1,191 milhões de euros). Por fim, a Ecosaúde melhorou o resultado operacional para 21 mil euros (-189%), mas ainda teve um resultado líquido negativo (-45 mil euros, era de -88 mil em 2011).

Em 2012, o aumento dos tarifários da CP não foi o mesmo nas diversas unidades de serviço. No Suburbano de Lisboa, o aumento médio situou-se nos 5,1%, enquanto no Suburbano do Porto foi de cerca de 6,6%. No serviço regional, esse aumento foi de 2,6%. O Serviço Urbano do Porto perdeu, contudo, menos passageiros do que o de Lisboa, face a 2011: -7,8% no Porto, num total de menos 1.655 passageiros, face a -12,6% ou 11.161 passageiros em Lisboa.

Esta quebra levou a uma diminuição dos proveitos de tráfego, atenuados pelo aumento do tarifário, mesmo assim o Serviço Urbano do Porto foi o único com um aumento dos proveitos "superior a 5%, contribuindo com cerca de 1,2 milhões de euros para os proveitos de tráfego CP", refere o relatório. Lisboa teve uma quebra de 780 mil euros (-1%), o Serviço de Longo Curso arrecadou menos 200 mil euros (-0,2%) e o Serviço Regional caiu 6,3%, com menos 1,874 milhões de euros.

No relatório, a CP atribui as quebras às "supressões de serviços realizadas, mas principalmente das greves". O mês de dezembro foi o pior mês, devido às greves, no que toca a supressões de comboios: menos 6 mil comboios, de um total de 30 mil que não se realizaram durante o ano devido às greves. A maioria das supressões (83%) ocorreu nos Suburbanos de Lisboa e no Serviço Regional.

In Dinheiro Vivo