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Terça, 02 Jun 2020

Governo espanhol estuda fusão da Adif e da Renfe

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O Governo espanhol pretende juntar de novo a gestora da infraestrutura ferroviária Adif e a operadora ferroviária Renfe, que tinham sido separadas em 2005 aquando da normativa europeia que contemplava a liberalização do setor ferroviário.

De acordo com o jornal “Expansión”, o principal motivo da ministra do Fomento, Ana Pastor, será de natureza financeira, devido ao alto endividamento das duas empresas. A fusão da Adif e da Renfe será realizada através de um modelo de holding e deverá acontecer antes da liberalização do transporte de passageiros. Este modelo, em desenvolvimento na Alemanha e na França, garante a independência entre a gestora da rede e o operador público. No caso da Alemanha, o país tem resistido às pressões da União Europeia e tem mantido a gestão da infraestrutura e a operação ferroviária na Deutsche Bahn. Quanto a França, está a ser estudada a criação de uma holding que controlará a operadora SNCF e a gestora da infraestrutura RFF. Entretanto, o Executivo espanhol decidiu dividir a Adif em duas empresas, uma para a rede de alta velocidade e a outra para a rede convencional. Já a Renfe vai ser dividida em quatro sociedades que se ocuparão de um negócio específico: passageiros, mercadorias, manutenção e material circulante.

Recorde-se que a Adif acumulou um passivo de 14 milmilhões de euros, enquanto a Renfe somou cinco mil milhões de euros. Em 2005, quando as duas empresas foram separadas, o Estado assumiu 5,5 mil milhões dos 7,3 mil milhões de passivo da Renfe, agravando o défice público em 1,8 por cento. Neste momento, a dívida acumulada equivale a dois por cento do PIB espanhol. Desta forma, a junção das duas entidades traria benefícios fiscais, além de facilitar a sua gestão.
 
Por Laura Melgão in Transportes em Revista